Um Mestre
M. Night Shyamalan é um jovem Mestre. Filme após filme, vai-nos contando histórias destinadas a serem vistas, ouvidas e sentidas pelo coração: The Sixth Sense, Unbreakable, Signs, The Village, Lady in the Water, Happening... e, agora, The Last Airbender. E mais uma vez, como os mestres dos grandes ritos iniciáticos, não nos entrega a verdadeira história de bandeja: obriga-nos a trabalhar, como o menino que, antes de olhar de frente e aceitar o sofrimento que vive dentro dele, não é capaz de usar o gigantesco poder da água. Está lá tudo: os grandes mitos orientais; a imensa diversidade humana; os senhores da guerra; o povo conformado; o dragão sábio; os peixes Yin (o espírito da Lua) e Yang (o espírito do Oceano); a princesa dos cabelos brancos que entrega a vida por amor abnegado à humanidade; o (des)equilíbrio dos quatro elementos primordiais. Mas, sobretudo, está o menino. O menino que não queria ser líder, o menino que só queria brincar com os outros meninos, o menino que é o único ser humano com a capacidade de dominar o Ar, a Água, a Terra e o Fogo e de atravessar a fronteira que (afinal, não) separa o mundo dos humanos do mundo dos espíritos. Avassalador.
Conselho aos incautos: não o vejam com a cabeça, porque, visto dessa forma, não deve ter interesse nenhum.





